Texto de Ariel Dorfman sobre livro de Kerry Kennedy
Produção Cooperativa Bonifrates

Classificação M/12 anos
Duração 75 min.

Os corpos que veiculam estas vozes, ou estiveram pessoalmente expostos à violência ou foram testemunhas dessa violência sobre outros seres humanos, grupos, ou nações. Alguns viram os próprios pais, filhos ou esposas serem violentados e levados durante a noite. Outros viram crianças serem transformadas em soldados e forçadas a matar. Cada um deles viu coisas intoleráveis: um homem morto por causa da cor da sua pele ou da cor das suas opiniões, pessoas levadas para cubículos fechados e executadas a sangue frio, soldados a apontar armas a populações, mulheres odiadas por causa das suas opções sexuais. Viram propriedades ancestrais serem roubadas aos seus proprietários, florestas a serem devastadas, línguas maternas a serem proibidas. Viram livros a ser censurados, amigos a ser sujeitos a tortura, jovens a ser escravizados. Viram advogados a ser presos e exilados por defenderem vítimas de violência. E, então, alguma coisa aconteceu. Algo extraordinário e quase maravilhoso. As pessoas encontraram um meio de falar, decidiram que não podiam viver consigo próprias se não fizessem nada, que não podiam continuar as suas vidas se permanecessem caladas. E à medida que começaram a falar, descobriram que não a violência, mas o medo, começou a desaparecer lentamente. Quando falaram e descobriram que outros faziam percursos semelhantes, que havia outras vozes, umas perto e outras longe, descobriram as diferentes maneiras de dominar o medo, em vez de deixar que fosse o medo a controlá-las. Ariel Dorfman


Ficha Artística
Texto Ariel Dorfman sobre livro de Kerry Kennedy
Tradução João Paulo Moreira
Encenação João Maria André
Interpretação Alexandra Silva, Ana Pires Quintais, Cristina Janicas, João Paulo Janicas, João Pedro Gama, José Castela, José Manuel Carvalho, José Nelas, Maria José Almeida, Maria Manuel Almeida, Paula Santos, Rui Damasceno, Vítor Carvalho
Cenografia e figurinos Atelier do Corvo/Círculo de Artes Plásticas de Coimbra
Música ao vivo João Fragoso
Desenho de luz e vídeo Nuno Patinho
Apoio ao movimento em palco Leonor Barata
Apoio musical João Lóio
Cartaz e Programa Ana Biscaia
Fotografia de cena © Paulo Abrantes
Operadores de luz e de vídeo Nuno Patinho e Hugo Oliveira
Assistente de cena e produtora executiva Alexandra Sofia Vieira
Caracterização Teresa Lopes
Penteados Ilídio Design/Carlos Gago
Serralharia Metalmiro
Carpintaria de Cena Laurindo Marta e Jorge Neves
Costureira Ilintina Marques
Produção Cooperativa Bonifrates
Apoios Câmara Municipal de Coimbra, Fundação Calouste Gulbenkian, Ilídio Design, Diário As Beiras, RUC, Fundação Robert Kennedy, Embaixada dos Estados Unidos da América, Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento e Embaixada de Áustria, Marriott Lisboa


Cooperativa Bonifrates

A Bonifrates - Cooperativa de Produções Teatrais e Realizações Culturais, C. R. L. foi fundada e constituída em 1980 e, deste então, tem desenvolvido uma atividade ininterrupta na cidade de Coimbra.

Num percurso em que a par da produção teatral têm tido destaque outras formas artísticas como a poética ou a musical, a Bonifrates tem assumido a criação artística como exercício de cidadania e uma festa, numa comunidade de projetos e afetos, procurando inscrevê-la na vida da “cidade” em ordem à sua crítica e à sua transformação.

A Bonifrates mantém uma ligação estreita com muitas entidades com intervenção cultural e cívica na vida da cidade - sindicatos, associações, grupos de teatro, grupos musicais, ordens profissionais, sendo de destacar, naturalmente, a Universidade de Coimbra e a Câmara Municipal de Coimbra - com as quais tem desenvolvido ao longo dos anos uma relação de colaboração marcada pela disponibilidade, pela capacidade de iniciativa e pela criatividade.